13 novembro 2006

Arredondamentos Abusivos

O Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, Fernando Serrasqueiro, já mostrou que não é homem para ir em arredondamentos. Vai dai, já desarredondou:

1. As horas, nos parques de estacionamento, foram desarredondadas para quartos de hora. Os preços subiram, mas não é disso que trata este post.

2. Os juros no crédito à habitação foram desarredondados de quartos e oitavos para milésimos. Os spreads vão subir, mas não é disso que trata este post.

3. As penalizações por amortização antecipada do crédito à habitação vão ser desarredondadas para 0%, transformando qualquer empréstimo de longo prazo numa conta-corrente. Os spreads e as comissões vão subir, mas não é disso que trata este post.

Outras ideias:

1. Fui fazer a revisão ao carro e a mão-de-obra, em cada operação, foi arredondada à meia-hora. Porquê? Aposto que se mudam as escovas do pára-brisas em 7 minutos e 14 segundos. Aposto que, em algumas oficinas, a soma de todas as horas facturadas aos clientes deve ser igual ao triplo das horas de trabalho de todos os funcionários.

2. Restaurante. Meia dose porquê? Só me apetecia picar. Proponho o desarredondamento obrigatório da meia-dose a tapas.

3. Um amigo só encontrou à venda carros de 2, 5 e 7 lugares. Só tem um filho, quer um carro de 3 lugares. Precisa-se uma lei que obrigue os vendedores a desarredondar o número de lugares para os realmente necessários a cada consumidor.

4. Comprei um livro de Lobo Antunes e só li 38 páginas. Não deveria a editora ser obrigada a devolver-me a parte não consumida? Parece-me que sim.

5. E se alguém só está interssado na TSF, não deveria pagar só dos 107.39 aos 107.41MHz? O consumidor poderia poupar 98% do preço de um rádio.

Há muitas outras situações deste género que requerem intervenção legislativa urgente.

Aceitam-se outras sugestões para o Sr. Secretário de Estado.

2 comentários:

  1. 6. No caso do vinho, por exemplo, deveria ser obrigatório o vendedor devolver o valor da tara sempre que esta fosse devolvida.Ganhávamos nós e a natureza!

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  2. Que susto!

    Quando li "no caso do vinho" pensei que fosse para devolver vinho...

    Livra!

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"O recurso ao anonimato é um mecanismo de cobardia e um instrumento de invejas e vinganças, muitas vezes violando a lei. É a transposição para a Internet de um mundo que existe cá fora, mas que até agora ficava dentro da cabeça das pessoas e nas conversas de café."