A enclavar desde 2005

«São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim, porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.»
Professor Agostinho da Silva





13 outubro 2017

Sócrates não merece cair sozinho

Eu não esqueço. Aqui estarei para lembrar que Sócrates não ascendeu sozinho, não governou sozinho e, acima de tudo, não merece cair sozinho.


Não se enganem: aquilo que ficámos a conhecer não foi a acusação de José Sócrates, mas a acusação de um regime inteiro. Um regime composto por um povo alheado e dependente, um poder corrupto, uma justiça amedrontada e um jornalismo manso. Sem esta triste conjugação de pobres qualidades, José Sócrates poderia sempre ter sido eleito em 2005, mas jamais seria reeleito em 2009. É evidente que existe gente indecorosa em qualquer parte do mundo, mas nos países bem frequentados as instituições não falecem todas ao mesmo tempo. Infelizmente, durante a era Sócrates, tudo faliu, até finalmente falir o país. Tirando duas ou três dúzias de teimosos que insistiram obsessivamente que o rei ia nu, demasiadas pessoas em lugares de responsabilidade ou não viram o que se estava a passar, por serem pouco espertas, ou não quiseram ver, por serem pouco honestas.

Neste momento marcante da História de Portugal, em que um ex-primeiro-ministro é acusado de 31 crimes de corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação de documento, convém recordar que José Sócrates não caiu da tripeça por causa dos portugueses, que finalmente perceberam quem ele era. Caiu por causa da crise internacional, da falência do país e da vinda da troika. Sócrates obteve 36,6% dos votos em 2009 (mais de dois milhões de pessoas), já depois da revelação da licenciatura fraudulenta e das manobras para impedir a publicação de notícias; já depois da exibição do DVD do caso Freeport onde Charles Smith declarava que ele era corrupto; já depois de correr com Manuela Moura Guedes do programa de informação mais visto da TVI por não apreciar o estilo e as reportagens. E mesmo após a crise internacional, a falência do país e a vinda da troika, José Sócrates ainda conseguiu obter 28,6% de votos para o PS – 1,57 milhões de portugueses. Em 2015, depois de quatro anos de brutal austeridade, António Costa obteve somente mais 180 mil votos do que José Sócrates em 2011.

Sócrates foi um extraordinário caso de popularidade, não só entre o povo, mas sobretudo entre as elites. E são estas elites que hoje em dia me preocupam, porque os ex-apoiantes de Sócrates continuam por aí como se nada fosse, nos blogues, nos jornais, nas empresas, no PS, no governo. Muitos dos que acham que os portugueses têm o dever moral de pedir desculpa por acontecimentos do século XVII, não vêem qualquer necessidade de pedir desculpa por acontecimentos de 2017. Não há qualquer acto de contrição por terem apoiado incansavelmente um homem que a cada três meses era suspeito de fraude, corrupção e atentado ao Estado de Direito, e que nunca, jamais, apresentou qualquer justificação decente para aquilo de que era acusado.

Dir-me-ão: Sócrates ainda não está condenado. Pois não. Mas reparem como o entusiasmo dos seus defensores esmoreceu desde a noite da detenção (21 de Novembro de 2014) até ao dia da acusação (11 de Outubro de 2017). A verdade é esta: as acusações são demasiado fortes e as explicações demasiado fracas. Daí Sócrates estar cada vez mais isolado. Contudo, o julgamento que se aproxima não pode esgotar-se nele. É sobre Sócrates, sobre Salgado, sobre Vara, sobre Bava, sobre Bataglia, e sobre um regime construído por inúmeros ex-socratistas, que agora saem de cena na esperança de que esqueçamos o papel que desempenharem ao longo dos anos. Eu não esqueço. Aqui estarei para lembrar que Sócrates não ascendeu sozinho, não governou sozinho e, acima de tudo, não merece cair sozinho.

(Texto de José Miguel Tavares, que subscrevo na íntegra)

A sério???

É preciso ter muita coragem e sentido do dever profissional para, em plena sede de campanha do PS/Sócrates, depois de uma derrota eleitoral para PPC nas legislativas de 2011, a jornalista fazer esta pergunta!

Mais houvesse...

A pergunta que incomodou Sócrates e "adivinhou" o que estava a chegar...

10 outubro 2017

Em época de vindimas, as coisas que se aprendem...


A Univ. de Coimbra participa na "Noite Europeia dos Investigadores" e este ano fiquei a saber umas coisas numa área que não dominava...

09 outubro 2017

Inveja da morte

Invejar a vida que outros têm (ou aparentam ter), parece banal, mas invejar a forma como partimos deste mundo, é quase surreal.

Quando a idade avança e o fim começa a ganhar contornos de inevitabilidade, vou ouvindo frases em momentos de falecimentos como: "ele é que teve sorte", "quem me dera (uma morte assim)", "foi sempre uma pessoa danada, mas teve uma morte tão boa", "que rica morte...".



06 outubro 2017

04 outubro 2017

03 outubro 2017

Dos resultados...

Mais do que dar os parabéns aos vencedores e saudar todos quantos participaram...

Malhar na merda das sondagens!!!

Não acredito que os erros tenham sido ingénuos! Pelo menos aquela em que o ISCA participou e o Diário asBeiras divulgou, não pode ser inocente.

Claro que ninguém se vai responsabilizar e nas próximas eleições serão de novo pagos para, de alguma forma, condicionar/manipular a opinião pública.


Antes de esmiuçar, recordo que o último vereador a ser eleito, neste caso a vereadora socialista Carina Gomes, apenas o foi por uma diferença de 48 votos. Ou seja, o Cidadãos por Coimbra só não elegeu qualquer vereador por 48 votos.

Estes foram os resultados finais:
PS – Manuel Machado: 35,46%% – 5 vereadores, 
PSD/CDS/PPM/MPT – Jaime Ramos: 26,56% – 3 vereadores, 
SC – José Manuel Silva: 16,o6% – 2  vereadores,  
PCP/PEV- Francisco Queirós: 8,30% – 1 vereador, 
CpC – Jorge Gouveia Monteiro:  7,02% –  0 vereadores

Esta sondagem falho redondamente, pois:
- Jaime Ramos teve quase o dobro da percentagem de votos
- Somos Coimbra teve mais do dobro da percentagem anunciada
- A CDU teve mais do triplo da percentagem de votos
- Os "Cidadãos por Coimbra" não elegeram qualquer vereador

Ou seja, curiosamente, só no PS a percentagem de votos esteve próxima (ainda assim, como já escrevi, bastavam menos 48 eleitores e os vereadores socialistas seriam apenas 4 - a sondagem indicava 5 ou 6, colocando em letras garrafais "MAIORIA ABSOLUTA", para que algum leitor mais distraído se entusiasmasse.

Quem coordenou esta sondagem devia vir a público retratar-se e o responsável pelo critério editorial do pasquim, podia tirar férias vitalícias do cargo que ocupa de forma (im)parcial.

Mais sobre as sondagens em Coimbra, AQUI!

30 setembro 2017

As diferenças...


Amanhã teremos 3 boletins de voto (2 para o município: Câmara e Assembleia Municipal e 1 para a Assembleia de Freguesia, de onde sairá o Executivo da Junta).

Como os candidatos têm atitudes diferentes (Freguesia e Concelho), não será de estranhar que os boletins de voto levem cruzes em locais diferentes.

Gosto pouco de "esmolas", ainda por cima, quando são "cobradas". Prefiro quem mostra humanismo e ajuda porque entende que é necessário dar condições a quem quer trabalhar (leia-se ajudar os outros).