Este termo é familiar a quem estudou, ou melhor a quem foi aluno.
Tratava-se de um papelito (quanto mais pequeno, melhor), em papel quadriculado (de preferência "cravado" a alguma colega mais aplicada), onde se escrevia o nome de todas as disciplinas e uma quadrícula correspondente ao triplo do nº de horas semanais.
Assim, tinhamos o Português e a Matemática com 12 ou mesmo 15 quadrículas, correspondentes às 4 ou 5 aulas por semana, as ciências, história, geografia com 9 quadradinhos e o Francês, Ed.Visual, Ed. Física com 6 quadrículas.
O pior era o E.M.R.C. (Educação Moral e Religião Católica) que apenas tinha 3 quadraditos pois apenas era leccionada uma aula por semana.
O problema da disciplina de Moral era a ratoeira da língua portuguesa no momento da matrícula. A pergunta "prescinde ou não prescinde de E.M.R.C", apanhava mais de metade dos alunos à procura de um dicionário que nunca aparecia. Levando muitos a aceitarem sem querer.
Claro que o gazetómetro servia para controlar a D.T. (Directora de Turma) para não enviar a cartita quando se atingia metade das faltas a uma determinada disciplina.
Caso a carta seguisse, havia que controlar a caixa de correio (leia-se debaixo da porta) ou o Sr João (carteiro e moleiro da zona, mais propriamente do Avenal).
O dito papelito (normalmente guardado religiosamente no bolso de trás das calças de ganga) ia sendo preenchido com cores distintas: azul para a 1ª metade das faltas e vermelho quando entrávamos na 2ª metade.
Numa aula mais pacífica, pedia-se o livro de ponto ao professor e actualizava-se o gazetómetro, não fosse haver um esquecimento da parte do aluno ou mesmo da parte de algum professor mais preocupado em dar matéria do que em marcar faltas.
Quando tal acontecia, havia motivo para comemorar e a Ti Júlia (café, mercearia e tasca que há sempre perto das escolas secundárias) tinha matrecos, sagres de litro ou outros bons motivos para actualizar o gazetómetro sem utilizar corrector (fiz-me entender?).
Durante o ano, ia sendo motivo de orgulho, mostrar o gazetómetro bastante preenchido (quase que dava patente a quem entrava no vermelho antes do Natal). Mas a partir da Queima das fitas, a coisa chiava fininho e muitas vezes havia lugar a choradinho aos professorers, ou à D.T. para não tapar (estar tapado significava que não se poderia dar mais nenhuma falta, pois cumbava-se por faltas).
Era assim o gazetómetro, actualmente substituído por um telemóvel ou PDA que regista as faltas, envia SMS quando se atinge metade e cria alertas vibratórios quando se atinge o limite.
Tenho saudades do tempo dos gazetómetros (principalmente a vermelho)!