O escolhido
É de mim ou Cavaco Silva não parece confortável no seu papel de candidato escolhido pelo povo? Desde sempre, desde que compareceu, que Cavaco Silva parece em baixo (naquele sentido que usamos quando estamos cansados, abatidos e sem grandes vontades), pouco confortável na campanha, pouco confortável na noite vitoriosa, pouco confortável por ter sido o escolhido.
Cavaco Silva está perigosamente próximo de uma rábula do Gato Fedorento. Imagino Ricardo Araújo Pereira como Cavaco e outros gatos a dizerem-lhe que ele agora é presidente. Imagino que a rábula se chame 'o candidato que não fez nada para ganhar' ou 'o candidato que não queria ganhar'. Ou mesmo 'o candidato que gostava de ser apenas candidato mas só se não tivesse de dizer nada'.
Que se passa aqui? Atrevo-me a dizer que Cavaco Silva está a encarnar uma personagem.
Cavaco não é de esquerda, claro, mas tambem não é de direita. Isso seria demasiado para ele. Também não é do centro, porque prefere estar ao lado.
Há aquelas pessoas que nunca preferem coisa nenhuma. Bacalhau está bem, lombo também está bem, também se come; pode ser tinto ou branco tanto faz, o que estiver mais à mão e o que der menos trabalho; se houver café tudo bem, se não houver também está tudo bem. Comi bem sim senhora, não estava com fome, mas comi bem.
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"O recurso ao anonimato é um mecanismo de cobardia e um instrumento de invejas e vinganças, muitas vezes violando a lei. É a transposição para a Internet de um mundo que existe cá fora, mas que até agora ficava dentro da cabeça das pessoas e nas conversas de café."