18 janeiro 2008

Bebedor de lenço

Gostando eu de apreciar os aspectos pitorescos, vou escrever sobre um personagem ainda real mas, cada vez mais presente apenas no nosso imaginário.

Imaginem...

Uma taberna, ou uma tasca,
Numa aldeia nos arredores ou na baixa da cidade,
Um copo baixo, de vidro espesso,
Cheio até ao cimo (pois aqui ninguém usa gravata),
A bebida é vermelha, muito escura,
Tem um odor intenso a "sulfitos", "taninos" e outros que tais,
O copo aguarda uns segundos sobre o balcão já gasto,
Não querendo parecer sôfrego,
Mas, a tentação é grande e...
Lá vai ele,
O braço firme,
Mas a mão trémula,
Eleva o copo,
O gesto é ponderado,
O movimento, embora repetido vezes sem conta,
Não admite erros.
Ai de quem ousar interromper,
Com um gesto,
Um toque no braço,
Uma palavra num tom mais elevado,
Uma graçola...
Nada!
Respeito que o acto é solene.
O copo toca na boca,
O conteúdo vai descendo pela garganta,
A cabeça reclina-se para trás,
Os olhos vão-se fechando,
Lentamente,
Ao ritmo do reclinar da cabeça,
(Tipo os bonecos que em pé têm os olhos abertos, e fecham quando estão deitados).
Acabou!
Correu bem!
Não houve interrupções!
Nem uma gota fica no copo,
Nem uma gota escorre pelos cantos da boca,
Perfeito!
Pousa-se o copo,
Com a sensação de dever cumprido.
Mas,
Num movimento algo brusco,
Vai-se ao bolso,
Das calças ou da camisa (peito),
Segura-se o lenço perfeitamente dobrado,
Abre-se uma, ou duas dobras,
Limpa-se primeiro os lábios,
Depois os cantos da boca.
Com algum rigor,
Sem pressas,
Dobra-se de novo o lenço.
Evita-se o "laço" procovado pelo carrascão,
Mostra-se higiene e educação.

Numa palavra... LINDO!!!

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"O recurso ao anonimato é um mecanismo de cobardia e um instrumento de invejas e vinganças, muitas vezes violando a lei. É a transposição para a Internet de um mundo que existe cá fora, mas que até agora ficava dentro da cabeça das pessoas e nas conversas de café."