21 fevereiro 2008

Há poemas e poemas

Alguns dos meus alunos do 10º ano não gostam de ler.

Poesia? Nem pensar!

Acham que é "secante"!!!

Mia Couto, Manuel Alegre, Florbela Espanca, Cesário Verde, Jorge de Sena... enfim, nenhum lhes interessa.

Seguindo o conselho do meu (nosso) amigo figueirense, vou aqui deixar um poema sem censurar as palavras mais ofensivas. Tudo em prol da manutenção da beleza original da obra poética que se segue.

"A água"
por Manoel Maria Barbosa du Bocage

Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da rasca
tira o cheiro a bacalhau da lasca
que bebe o homem que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho.

Meus senhores aqui está a água
que rega as rosas e os manjericos
que lava o bidé, lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche
e lava a boca depois de um broche.

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"O recurso ao anonimato é um mecanismo de cobardia e um instrumento de invejas e vinganças, muitas vezes violando a lei. É a transposição para a Internet de um mundo que existe cá fora, mas que até agora ficava dentro da cabeça das pessoas e nas conversas de café."