07 dezembro 2008

Ensaio sobre a cegueira

Sou avalista do Banco Privado. Não me apetece ser cliente, porque eles queriam-me 250 mil euros de depósito mínimo e não me dá jeito ir agora a correr buscar algum "guito" debaixo do colchão.
Não sou cliente, mas sou avalista, juntamente convosco que estão a ler isto neste momento, se forem portugueses. E se pagarem impostos. Somos só 4 milhões a pagá-los.
Se pertencessemos a alguma etnia não pagávamos nada e recebíamos o rendimento social de inserção. Se nos dedicássemos à mui nobre arte de diminuir o património alheio, ou à comercialização de químicos alternativos, também não pagávamos impostos. Recebíamos o mesmo Rendimento retirado dos impostos de quem trabalha.
Mas não pertencemos a nenhuma dessas castas privilegiadas... paciência.
Mas não há que desanimar: acabamos de ser nomeados avalistas do BPP pelo Estado Português. Se o Banco for à falência eu e vocês seremos chamados a contribuir para que os banqueiros não percam as imensas fortunas que acumularam ao longo de uma vida inteira de árduo trabalho alheio.
Umas poucas centenas de euros tiradas a cada um de nós, o que é isso? Insignificâncias.
O importante é que os srs banqueiros não desmoralizem e continuem a dedicar-se, com o afinco que têm demonstrado, ao Bem do País.
Estes 4 milhões de portugueses que, na sua maioria, nem condições tinham para ser avalistas dos seus próprios filhos num empréstimo para a compra de uma humilde casinha, têm finalmente razões para sorrir!
Agora tudo mudou. Agora somos todos, finalmente, avalistas dos maiores milionários de Portugal!
Que bom para a nossa auto-estima!

3 comentários:

  1. Este " Manel Ceguinho " ainda não se demitiu?????????????
    O TACHO É BOM MUITO BOM, NÉ............
    Abraço
    Virgílio Moura

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  2. Tão bom que ganha cerca de 50 mil contos por ano!

    Assim se explica a subserviência dele ao governo e a sua impunidade perante tanta incompetência.

    Abraço.

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  3. Já chega de conversa fiada. Vou invocar o "espirito" do Primo Rapsag para vos pôr na linha!

    Primo, tens a palavra!

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