São mais de cinco mil professores que entraram na reforma, desde Março de 2008, quando se agudizou a luta contra o Ministério da Educação. Isabel de Melo é professora há 38 anos e há 11 anos que dá aulas de História na Escola Secundária Jaime Cortesão, em Coimbra. Precisava de trabalhar mais dois anos para não ser penalizada na reforma. Mas diz que não aguenta mais. Em Julho, quando fizer 60 anos, vai pedir a reforma antecipada, mesmo sabendo que vai sofrer uma penalização de 9%. “Sempre gostei muito da minha profissão. Mas com esta falta de respeito do Ministério da Educação, não vale a pena o sacrifício. Quero sair”, confessou, queixando-se do aumento do trabalho burocrático e criticando os modelos de avaliação dos professores e de gestão das escolas. “Sou do tempo do reitor. Não quero este modelo (gestão). Já o experimentei no fascismo”. São professores como Isabel de Melo que estão a pedir, em massa, a reforma antecipada. Estamos a falar de professores de topo de carreira, que já passaram por muitas reformas educativas. Trata-se de uma perda muito significativa porque são professores com uma grande experiência. Deve ser a deste tipo de situações que Maria de Lurdes Rodrigues se refere quando fala da necessidade de rupturas, ou seja, levar grande parte dos profissionais mais qualificados a abandonarem o ensino com elevadas perdas materiais, de maneira a baixar os encargos orçamentais e abrir espaço para os futuros generalistas formatados à bolonhesa para o sucesso. É mesmo a costela anarquista da senhora ministra a funcionar. Destruir o que existe para reconstruir uma Escola Nova. Acho que tentaram isso em vários pontos do mundo em sistemas de matriz totalitária. Parece que deu certo, mas só durante algum tempo.
A "enclavar" desde 2005, contra a imbecilidade de governantes e a passividade Lusa
22 janeiro 2009
Assim vão as escolas...
São mais de cinco mil professores que entraram na reforma, desde Março de 2008, quando se agudizou a luta contra o Ministério da Educação. Isabel de Melo é professora há 38 anos e há 11 anos que dá aulas de História na Escola Secundária Jaime Cortesão, em Coimbra. Precisava de trabalhar mais dois anos para não ser penalizada na reforma. Mas diz que não aguenta mais. Em Julho, quando fizer 60 anos, vai pedir a reforma antecipada, mesmo sabendo que vai sofrer uma penalização de 9%. “Sempre gostei muito da minha profissão. Mas com esta falta de respeito do Ministério da Educação, não vale a pena o sacrifício. Quero sair”, confessou, queixando-se do aumento do trabalho burocrático e criticando os modelos de avaliação dos professores e de gestão das escolas. “Sou do tempo do reitor. Não quero este modelo (gestão). Já o experimentei no fascismo”. São professores como Isabel de Melo que estão a pedir, em massa, a reforma antecipada. Estamos a falar de professores de topo de carreira, que já passaram por muitas reformas educativas. Trata-se de uma perda muito significativa porque são professores com uma grande experiência. Deve ser a deste tipo de situações que Maria de Lurdes Rodrigues se refere quando fala da necessidade de rupturas, ou seja, levar grande parte dos profissionais mais qualificados a abandonarem o ensino com elevadas perdas materiais, de maneira a baixar os encargos orçamentais e abrir espaço para os futuros generalistas formatados à bolonhesa para o sucesso. É mesmo a costela anarquista da senhora ministra a funcionar. Destruir o que existe para reconstruir uma Escola Nova. Acho que tentaram isso em vários pontos do mundo em sistemas de matriz totalitária. Parece que deu certo, mas só durante algum tempo.
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