08 junho 2011

A preferida do meu avô Manel

Trouxe há dias da Mealhada
Uma alentada bebedeira
Passei uma noite inteira
Em cima d’ uma silveira

Com uns amigos m’ ajuntei
E muito vinho lá bebi
Quando do tasco saí
Hora e meia é que eu contei

Cheguei à ponte,
lá vai uma perna quebrada
ouvi dar uma gargalhada
Mas à bruxa não dei resposta
Uma carrada bem composta
Trouxe há dias da Melhada.

Pus-me andar na outra perna
Agarradinho ao meu cassete
Mas o ladrão do “capacete”
Dizia, voltemos p’ra taberna.

Vejo além uma luzerna
Eram as bruxas na Casqueira
Dançando a farrapeira
Quem tocava era o “freguês”
Apanhou este maltês
Uma alentada “bobadeira”

O vinho do Sr. João Machado
É que me fez cair nos barrocos
Um “cartão” com trinta copos
É que eu tinha entornado

Cheguei à ponte cansado
Da bruxona a fugir
Eu não ouvia senão rir
Dizia asneiras aos posseiros
Numa cama de silvas e trapeiros
Passei uma noite a dormir

Naquilo do Zé do Zézinho
Mesmo ao troço da figueira
Eu dormi com a piteira
Cuidando que em casa estava
Acordei de madrugada
Em cima duma silveira.


A letra que ele cantava tinha ligeiras alterações, mas não sei qual a correcta, até porque pedi ao meu avô Gaspar para me ensinar a letra (já depois do Manel ter morrido), mas não encontro o papel onde a registei.

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"O recurso ao anonimato é um mecanismo de cobardia e um instrumento de invejas e vinganças, muitas vezes violando a lei. É a transposição para a Internet de um mundo que existe cá fora, mas que até agora ficava dentro da cabeça das pessoas e nas conversas de café."