04 setembro 2012

Há dias na Mealhada...

Há dias na Mealhada
Apanhei uma bebedeira
Passei uma noite a dormir
Em cima de uma silveira

Com uns amigos me juntei
Muito vinho lá bebi
Assim que do tasco saí
Hora e meia que eu contei

Cheguei à estrada um buléu dei
Lá vai uma perna quebrada
Além sinto uma gargalhada
Às bruxas não dei resposta

Uma carrada bem composta
Apanhei na Mealhada

Pus-me a andar com a outra perna
Encostado ao meu cacete
O ladrão do capacete
Diz-me voltemos para a taberna

Além vejo uma luzerna
Eram as bruxas na casqueira
A dançar a farrapeira
Quem tocava era o freguês
Apanhou este maltês
Uma refriosa bebedeira

O vinho do João Machado
Faz-me cair pelos barrocos
Quanto eu tinha emborcado
Um quarteirão e trinta copos.

A arrumar papeladas encontrei um escrito que eu tinha a certeza ter guardado (mas não sabia onde). 

Quem a cantava era o meu avô "Manel" Marceneiro, mas foi o meu avô Gaspar que me ditou estes versos que não consegui encontrar na internet (a oralidade ainda tem destas coisas...)

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"O recurso ao anonimato é um mecanismo de cobardia e um instrumento de invejas e vinganças, muitas vezes violando a lei. É a transposição para a Internet de um mundo que existe cá fora, mas que até agora ficava dentro da cabeça das pessoas e nas conversas de café."