Ontem vi o jogo da Bélgica e dos EUA. Não sei se foi um bom jogo do ponto de vista técnico-tático. Não sei se os sistemas e os modelos de jogos são os melhores. Não sei se jogaram com o bloco alto ou com o bloco baixo. Não sei se jogaram em 4x4x3 ou em 4x4x2 losango. Não sei se fizerem boas transições ofensivas, defensivas ou as duas. Aliás, não sei se algum destes conceitos existe (sei que na televisão nos impingem este palavreado, supostamente científico, para tentar justificar a incapacidade para descreverem e analisarem simplesmente o que se vê).
Sei uma única coisa: foi um belo jogo. Os jogadores deram o que tinham e o que não tinham. Umas vezes em jeito, outras em força. Criaram-se lances de golo eminente de um lado e do outro. Houve emoção até ao último minuto. Os guarda-redes estiveram bem, assim como os defesas, os médios e os avançados.
Tudo isto se deve aos treinadores. Colocaram a jogar os jogadores em excelentes condições físicas e anímicas. Colocaram-nos a jogar nas posições certas. Substituíram bem sempre que necessário, isto é, por incapacidade dos jogadores em campo ou por vontade de alterar o rumo do jogo. Até ao último minuto, vibraram no banco de forma intensa. Foi impressionante ver o Klinsmann, um alemão, a comportar-se como um treinador da América do Sul, aos gritos por o árbitro só ter dado um minuto de descontos na segunda parte do prolongamento. Acreditava que um minuto podia fazer toda a diferença.
No fim, cumprimentaram-se e conversaram. Não sei o que disseram, mas imagino. Terá sido qualquer do tipo: “foi um privilégio jogar este jogo”. São uns senhores. Olho para eles e lembro-me do Paulo Bento. Não se pode demiti-lo e substituí-lo por um senhor destes?
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