A enclavar desde 2005

«São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim, porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.»
Professor Agostinho da Silva





05 novembro 2013

Viagens de finalistas

O que são os finalistas?

Todos os que findam um curso superior?

Todos os que concluam o 12º ano?

Todos os que acabam o 9º ano?

Todos os que terminam o 4º ano?

Todos os que encerrem um módulo de formação profissional?

As viagens de autocarro a Benidorm e a Lloret del Mar (ambas no Sul de Espanha), são já o destino preferido de milhares de adolescentes e jovens (cujos pais reclamam mais ajudas sociais), para lá se poderem embebedar, dar umas "curtes" (para ser suave, pois muitos e muitas inauguram-se nesses destinos), curtir a "night" à fartazana, por vezes entrando em coma alcoólico e tentando saltar varandas de andares altíssimos, com as trágicas consequências que todos conhecemos.

As férias da Páscoa são as mais concorridas, até porque nessa altura ainda há (a esperança para os pais e a promessa feita pelos filhos) o sucesso escolar no horizonte.

Os pais vendem rifas, montam bancas para vender bolos à fatia nos adros das igrejas e quase refilam por os meninos com as latas a pedir para a Liga Portuguesa Contra o Cancro andarem nas imediações a roubar clientes.

Mas esta gente ficou toda parva??? Ou eu estou definitivamente retrógrada???

Mas afinal desde quando é que no 9º ano se é finalista de alguma coisa???

Mas desde quando é que miúdos com 15 anos são "competentes" para irem a um local no estrangeiro onde a finalidade é diversão em noitadas consecutivas, com os perigos reais à espreita???

A esmagadora maioria é organizada pelos adolescentes, que pedem a 2 ou 3 professore que os acompanhem apenas para que os pais os deixem ir, embora os docentes não vão com qualquer responsabilidade sobre eles (não vão em serviço oficial, não se trata de uma actividade do plano de actividades da escola e não há seguro escolar que lhes valha).

Espero daqui a 4 anos manter a minha sanidade e tudo fazer para que o meu bem mais precioso não vá a tal romaria.

Em última análise direi um NÃO peremptório, embora me pareça que bastará os pais não ajudarem (nestas angariações de fundos e organização) para que tal viagem nunca aconteça.

Até lá, como gosto dos filhos dos meus amigos e conhecidos, opto por não comprar qualquer rifa, caneta, porta-chave ou fatia de bolo, sempre que o destino do dinheiro angariado seja para "pitas" de 15 anos e "garnisés" imberbes irem apanhar uns pifos, dar umas coisas parecidas com "panquecas" e praticarem parkour a 20 metros de altura.

P.S. - se as coisas não podem acontecer na mesma por cá??? Claro que podem, mas as probabilidades são menores!

1 comentário:

Ana disse...

Concordo contigo, não faz sentido nenhum...