Com os altos e baixos que caracterizam os mercados mobiliários, normalmente vulneráveis a situações externas (crise em Itália, guerra na Síria, etc.) e internas (demissão de Paulo Portas, chumbos do Tribunal Constitucional, etc.), o certo é que a tendência de descida registada nos últimos meses é inegável.
O importante é que o esforço que temos andado a fazer tenha algum efeito a médio/longo prazo e pagar juros mais baixos é vantajoso no imediato, mas traduz a confiança que os nossos credores (não me refiro apenas à "Troika" que como sabemos é sustentada pela Alemanha e mais meia-dúzia de "compadres", mas principalmente ao mercado secundário, onde investidores de todo o mundo podem dar ordem de compra aos seus bancos - eu próprio há uns tempos cheguei a comprar dívida pública portuguesa através de um fundo internacional.
Se realmente os investidores particulares e institucionais já nos emprestam dinheiro a 10 anos, com juros muito mais baixos (aos níveis de 2007), é porque entendem que somos cumpridores e temos condições de pagar.
Isto devia ser uma boa notícia para todos os portugueses, independentemente da ideologia política.
Fica um gráfico da tal dívida pública a 10 anos (é o prazo de referência) onde se pode constatar que pelo menos entre 2007 e 2010, o normal era andar entre os 4 e os 5%.
Ainda assim, este governo - que não está isento de erros, muito pelo contrário - depois de tomar posse e enquanto não começou a "mostrar serviço", deparou-se com uma subida que teve o seu pico (foi realmente um pico, pois os valores não se mantiveram lá em cima mais que um par de dias) na crise italiana - lembro que nessa data os juros da Grécia atingiram os 30%.
O certo é que com base (quase exclusivamente) em cortes nas pensões, nos vencimentos dos funcionários públicos e num aumento brutal de impostos, conseguiram financiar-se no mercado com juros mais baixos e ontem a taxa a 10 anos atingiu 4,31%.
Para os que entendem que (apesar de tudo) não são boas notícias e que esta baixa nos juros apenas reflecte o que se passa nos outros países, atentem nas notícias (procurem que não posso fazer a papinha toda - eheheh) e vejam as diferenças entre os comportamentos das taxas gregas, irlandesas, espanholas e italianas, para descortinarem qual tem baixado mais consistentemente.
Fica ainda um gráfico onde cai por terra a teoria que grassou por aqui durante muito tempo e que indicava a crise da dívida pública portuguesa como uma fatalidade que atingia todos os países, ou seja, entendia-se que era a conjuntura internacional a grande responsável pelo descalabro das contas do "quase engº".
Reparem como em 2010 e 2011 se comportaram os nossos investidores. Até parece que não acreditavam no homem do TGV, da nova travessia sobre o Tejo e do aeroporto no "deserto". Itália, Espanha e França mantiveram-se "siamesas", mas Portugal disparou como um foguete.



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