A enclavar desde 2005

«São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim, porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.»
Professor Agostinho da Silva





07 janeiro 2009

Moção Da Escola Secundária Infanta Dona Maria

MOÇÃO

Os professores da Escola Secundária Infanta D. Maria suspenderam, por unanimidade, a sua participação em todos os procedimentos relacionados com a aplicação do Dec. Lei 2/2008, tal como sucedeu em mais de 450 Escolas ou Agrupamentos de Escolas.

A necessidade sentida pelo Governo, na sequência das enormes manifestações de descontentamento levadas a cabo pela quase totalidade da classe docente, de alterações sucessivas do Modelo de Avaliação, mais não é que um reconhecimento inequívoco da sua inadequação pedagógica e da inaplicabilidade do Modelo.

As alterações pontuais que foram introduzidas não alteraram a filosofia e os princípios que lhe estão subjacentes. Apesar de designado por Modelo de Avaliação, não o é efectivamente. Não tem cariz formativo, não promove a melhoria das práticas, centrado que está na seriação dos professores para efeitos de gestão de carreira.

As alterações produzidas pelo Governo mantêm o essencial do Modelo, nomeadamente, alguns dos aspectos mais contestados como a existência de quotas para Excelente e Muito Bom, desvirtuando assim qualquer perspectiva dos docentes verem reconhecidos os seus efectivos méritos, conhecimentos, capacidades e investimento na Carreira.

Outras alterações como as que têm a ver com as classificações dos alunos e abandono escolar, são meramente conjunturais, tendo sido afirmado que esses aspectos seriam posteriormente retomados para efeitos de avaliação.

A implementação do Modelo de Avaliação imposto pelo Governo significa a aceitação tácita do ECD, que promove a divisão artificial da carreira em categorias e que a esmagadora maioria dos docentes contesta.

Tendo em consideração o que foi referido anteriormente, os professores da Escola Secundária Infanta D. Maria, coerentes com todas as tomadas de posição que têm assumido ao longo deste processo, reafirmam a sua vontade em manter a suspensão do mesmo.

Apelam ainda a que aconteça o mais rapidamente possível um processo sério de revisão do ECD, eliminando a divisão da carreira em categorias, e que se substitua o actual Modelo de Avaliação por um Modelo consensual e pacífico, que se revele exequível, justo e transparente, visando a melhoria do serviço educativo público, a dignificação do trabalho docente, promovendo assim uma Escola Pública de qualidade.

Coimbra, 6 de Janeiro de 2009
Escola Secundária Infanta D. Maria
NOTA 1: esta escola de Coimbra tem sido a melhor (pública) do país, de acordo com o ranking de escolas, nos últimos anos.
NOTA 2: Esta moção foi aprovada por esmagadora maioria, apenas com 1 voto contra e 2 abstenções

9 comentários:

Anónimo disse...

Cuidado com os processos disciplinares! Volta PIDE...

Anónimo disse...

O país tem leis e todos tem que as cumprir, no entanto podem contesta-las, concordo e muito que os professores lutem por aquilo que acham correcto e justo, mas dentro da lei.
Generalizando um pouco, qualquer funcionário podes contestar dentro do seu direito, lógico se o protesto exceder o seu direito deve ser penalizado.(ex: chegar atrasado, faltar a reuniões, falta de produtividade, etc etc..).
Não quero com isto dizer que não concorde com o que os professores contestam, desde que o façam dentro da lei.
PIDE?vou entender esse comentário como revolta,insatisfação e ate mesmo alguma percepitação, porque na verdade se houvesse PIDE não existia este blog e não se podia expressar aqui as nossas opiniões.

corradi 25

Anónimo disse...

Como foi notícia na semana passada, os Professores que rejeitarem a avaliação vão ficar sujeitos a sanções disciplinares. È óbvio que é uma forma de intimidação que, ainda que exageradamente, parece ter contornos "pidescos". Para além disso, não passa da minha opinião que nem sequer sou docente.

Anónimo disse...

JALG
Respeito inteiramente a sua opinião.
Se é obvio que seja uma forma de intimidação, já vai da interpretação de cada um.
Na minha opinião qualquer trabalhador que não respeite as regras da empresa deve ser sujeito a sanções, eu não estou a dizer que concordo com o método de avaliação que foi imposto,alias compreendo perfeitamente os professores.Embora ache, que quem não cumprir com as leis deve ser sujeito a sanções, como em qualquer outro caso.
corradi 25

JPG disse...

Os professores, com excepção do dia de greve em Dezembro, têm optado por vigílias, manifestações aos Sábados e à noite, para não perturbar o normal funcionamento das escolas.

No entanto, para um M.E. que não respeita mais de 4/5 da classe docente, TODA a oposição, muitos socialistas com provas dadas e agora também alguns deputados do partido do governo, dificilmente as próximas formas de luta poderão ser tão brandas.

Aguardemos...


Quanto à PIDE, o caso do professor Charrua da DREN é um exemplo de que o sistema funciona e que a intimidação é uma realidade.

Se ainda tiverem dúvidas, recordem o caso do jornal Público ou do jornalista José Rodrigues dos Santos, entre tantos outros...

Anónimo disse...

No caso do professor Charrua, os motivos do afastamento não foi a avaliação, e muita coisa ficou por explicar nesse caso!
Já o caso do jornalista José Rodrigues dos Santos faz-me lembrar o afastamento do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa da TVI pelo então PM Santana Lopes.
Eu acredito que haja pressão da ME sobre os professores, mas dai a chamar-lhe PIDE.....
corradi 25

JPG disse...

O Marcelo trabalhava numa estação privada na TVI e despediu-se alegadamente por ter sido pressionado pelo patrão (privado, insisto) para não "cascar" tanto no governo PSD.

Teve direito a uma audiência com o Presidente Sampaio e lá acabou por ir trabalhar para a RTP (como era seu interesse).

Já o Rodrigues dos Santos trabalha na RTP e não se devem admitir pressões por parte da tutela quando a estação de televisão em causa - pública, logo paga por todos nós se vê limitada na escolha das reportagens ou dos critérios jornalísticos.

Há pouco tempo um funcionário público participou num forum da rádio e foi chamado à pedra.

Conheço a pessoa em causa.

Liberdade de expressão???

Anónimo disse...

A pressão para o Marcelo Rebelo de Sousa sair foi do patrão da TVI que é privado, mas quem é que fez pressão ao patrão?havia ou não interesse em ele sair?!
Só os menos atentos é que não se apercebem da tendência politica da TVI, hoje no jornal da noite vai ser um bom exemplo disso, a "jornaleira" que é uma das directoras de informação da TVI, manipula o jornal inteiro.Era bom comparar um jornal desta época com um jornal da época do governo PSD, ia ser fácil chegar a essa conclusão.
Eu na verdade acredito que haja pressão dos governantes, mas na generalidade são todos, até mesmo nos poderes locais.É lógico que acho errado, ate porque sempre que posso gosto de dar a minha opinião sem haver consequências:)
Aproveito para dar os meus parabéns ao autor do blog, não só por ser Ribeirense :), mas também pela criatividade e actualidade do blog.
Corradi 25

JPG disse...

Obrigado.

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