A "enclavar" desde 2005, contra a imbecilidade de governantes e a passividade Lusa
A enclavar desde 2005
«São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim, porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.» Professor Agostinho da Silva
De vez em quando encontro ha hora da bica um senhor de Vila Verde, num pequeno cafe Portugues aqui da vila. Sempre que haja lugar na sua mesa logo peco licensa par lhe fazer companhia no beber de uma das bebidas que mais aprecio e que considero das mais aromaticas do mundo. E' que ele com os vinte e cinco anos que me leva de avanco e o dom especial que tem para contar historias, adoca o meu cafe de tal forma que poem fim a importancia que tanto dou ao este ser fraco ou forte, curto ou comprido, quente ou frio, cremoso ou nao. Conta-me que aos treze anos foi parar aos estaleiros navais da Figueira da Foz. Com a quarta classe e, nunca se esquecendo de mencionar, o exame de "admissao" feito, onde recebeu a nota de Bom com Destincao, e' depois de alguns meses a carregar madeira aos ombros, ao ritmo de cachacoes de um lado e pontapes do outro, transferido para a sala de traco. E' no chao de madeira desta sala , o sotao dos estaleiros, que aprende e mais tarde passa a ensinar a sua arte, a arte de ser "tracador". Era directamente no piso de madeira, decifrando as plantas que dos engenheiros recebiam, que desenhavam 'a escala de 1 :1, real, peca por peca as quilhas, proas , res, alquebramentos, amuras, balizas, cevadeiras, cavernas e tantas outras pecas 'as quais por muito que ele tente nao consigo eu os nomes decorar, e depois estes desenhos copiavam atraves de papel vegetal para serem entregues, servindo de guia aos tanoeiros ou quando ja na fase de acabamentos aos marceneiros. Na maioria, conta ele, os bons e grandes mestres na seccao da construcao eram ,sem culpa propria e apesar de bem conhecer e de bem trabalhar com numeros, analfabetos. E' que, expica ele, o que recebiam dos engenheiros era naturalmente, complicadissimos calculos, normas, leis, teoremas, angulos, arcos, semi-arcos, triangulos, quadrados, rectangulos, circunferencias, uma caldeirada de numeros, letras e riscos. Agora aquilo que da sala de traco, sempre feito na perfeicao, passavam aos colegas que construiam as naves, isso sim, era compreensivel, descodificado, acessivel, visivel, palpavel, enfim real. Que orgulho ele sente na capacidade que teve para aprender sabedorias algo complicadas e na capacidade que teve mais tarde em as passar a outros. Daquilo que mais se preza e' o facto de que homens que por funcao quase unica passavam os dias cortando uns, martelando outros, juntando pecas, alinhando, cizelando, aparafusando, lixando, calafetando, pintando e sei la mais o que, dando uma olhadeda de vez em quando aos seus desenhos que esses sim, todos entendiam, eram capazes de construir belissimos objectos capazes de vencer tempestades e ainda hoje fazer sonhar. Sonhar, uns como eu, com aventuras que me arrepiam a espinha, navegando ao sabor do vento, outros com grandes viagens a lugares que nao conhecem, esperando que como ha seculos atraz, a nos Lusitanos, Venus lhes seja favoravel e lhes reacenda a chama do amor e a muitos outros, tal como ao meu visavo e avo maternos, sonhar que lhes irao sempre ser ouvidas as lamurias e sao e salvos voltarao, a casa e aos seus, trazendo consigo o pao nosso de cada dia. Mas que brio eu vejo neste homem quando me fala dos seus barquinhos.
Nao sabendo eu se professias ja fizeste, nem se professas, mas sabendo o que tracas e que simplificando o teu traco vais ajudando quem podes , fazendo parte tambem tu com o teu desenho da construcao de um barquinho melhor (este mundo que atraves do espaco nos propela), deste estaleiro onde tambem eu vou tentando calafetar as palancas de borda da nau (tantas vezes a meter agua e 'a deriva) em que navego, desejar a ti "Tracador Pedro" um bom dia de professor.
7 comentários:
Feliz Dia!
Bjs
De vez em quando encontro ha hora da bica um senhor de Vila Verde, num pequeno cafe Portugues aqui da vila. Sempre que haja lugar na sua mesa logo peco licensa par lhe fazer companhia no beber de uma das bebidas que mais aprecio e que considero das mais aromaticas do mundo. E' que ele com os vinte e cinco anos que me leva de avanco e o dom especial que tem para contar historias, adoca o meu cafe de tal forma que poem fim a importancia que tanto dou ao este ser fraco ou forte, curto ou comprido, quente ou frio, cremoso ou nao.
Conta-me que aos treze anos foi parar aos estaleiros navais da Figueira da Foz. Com a quarta classe e, nunca se esquecendo de mencionar, o exame de "admissao" feito, onde recebeu a nota de Bom com Destincao, e' depois de alguns meses a carregar madeira aos ombros, ao ritmo de cachacoes de um lado e pontapes do outro, transferido para a sala de traco.
E' no chao de madeira desta sala , o sotao dos estaleiros, que aprende e mais tarde passa a ensinar a sua arte, a arte de ser "tracador".
Era directamente no piso de madeira, decifrando as plantas que dos engenheiros recebiam, que desenhavam 'a escala de 1 :1, real, peca por peca as quilhas, proas , res, alquebramentos, amuras, balizas, cevadeiras, cavernas e tantas outras pecas 'as quais por muito que ele tente nao consigo eu os nomes decorar, e depois estes desenhos copiavam atraves de papel vegetal para serem entregues, servindo de guia aos tanoeiros ou quando ja na fase de acabamentos aos marceneiros. Na maioria, conta ele, os bons e grandes mestres na seccao da construcao eram ,sem culpa propria e apesar de bem conhecer e de bem trabalhar com numeros, analfabetos. E' que, expica ele, o que recebiam dos engenheiros era naturalmente, complicadissimos calculos, normas, leis, teoremas, angulos, arcos, semi-arcos, triangulos, quadrados, rectangulos, circunferencias, uma caldeirada de numeros, letras e riscos. Agora aquilo que da sala de traco, sempre feito na perfeicao, passavam aos colegas que construiam as naves, isso sim, era compreensivel, descodificado, acessivel, visivel, palpavel, enfim real.
Que orgulho ele sente na capacidade que teve para aprender sabedorias algo complicadas e na capacidade que teve mais tarde em as passar a outros. Daquilo que mais se preza e' o facto de que homens que por funcao quase unica passavam os dias cortando uns, martelando outros, juntando pecas, alinhando, cizelando, aparafusando, lixando, calafetando, pintando e sei la mais o que, dando uma olhadeda de vez em quando aos seus desenhos que esses sim, todos entendiam, eram capazes de construir belissimos objectos capazes de vencer tempestades e ainda hoje fazer sonhar. Sonhar, uns como eu, com aventuras que me arrepiam a espinha, navegando ao sabor do vento, outros com grandes viagens a lugares que nao conhecem, esperando que como ha seculos atraz, a nos Lusitanos, Venus lhes seja favoravel e lhes reacenda a chama do amor e a muitos outros, tal como ao meu visavo e avo maternos, sonhar que lhes irao sempre ser ouvidas as lamurias e sao e salvos voltarao, a casa e aos seus, trazendo consigo o pao nosso de cada dia.
Mas que brio eu vejo neste homem quando me fala dos seus barquinhos.
Nao sabendo eu se professias ja fizeste, nem se professas, mas sabendo o que tracas e que simplificando o teu traco vais ajudando quem podes , fazendo parte tambem tu com o teu desenho da construcao de um barquinho melhor (este mundo que atraves do espaco nos propela), deste estaleiro onde tambem eu vou tentando calafetar as palancas de borda da nau (tantas vezes a meter agua e 'a deriva) em que navego, desejar a ti "Tracador Pedro" um bom dia de professor.
Alvaro Jose'
Vamos remendando o bote, com pez (piche)...
Obrigado.
Abraço.
Obrigado Elisabete!
Igualmente!!!
Obrigado Elisabete!
Igualmente!!!
Ha mestres a ensinar e tambem a escrever parabens a ti tambem.
KP
Obrigado!
Aquele abraço!
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